Anjos na cidade
- Daniel Ben-Hur Silva de Oliveira
- 25 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Não sou criado na tradição das decorações de natal. Minha família não teve esse costume. Mas esse ano, fiquei feliz com as decorações de Vitória/ES: por causa dela, vi anjos na cidade!
Para cientistas, como eu, mesmo de tradição religiosa e cristã, lidar com o mundo sobrenatural, não é fácil. Há uma separação filosófica e ocidental na nossa mente que põe o mundo dividido em dois pavimentos: um de baixo e um de cima. Não é uma divisão real, mas uma categorização enraizada culturalmente. Ela atrapalha a mente de unir realidades e até de relacionar as coisas espirituais às cotidianas, e vice versa. Isso que faz tratarmos a religião como algo pessoal e indiferente à vida pública. É como um apartamento de dois andares, mas no qual quando você muda de andar, muda de mente, e esquece de quem você era no pavimento anterior. Uma verdadeira loucura tola, desnecessária, mas infelizmente comum.
Deus nos conhece. E no conhecimento proveniente das Escrituras Sagradas revela-se a nós uma verdade: Deus sabe romper a barreira entre o pavimento de baixo e o de cima, e mais, Ele sabe destruí-la de vez e já fez isso.
O nascimento virginal de Jesus desafia a ciência. O coral de anjos anunciando sua chegada ao mundo desafia a imaginação. A adoração dos pastores e dos sábios do oriente desafiam os poderes terrenos. Mas principalmente, a fragilidade de um menino-Deus desafia os limites da humildade e bondade.
Deus se tornou carne. Deus, o Deus bendito no pavimento de cima, é Deus bendito no pavimento de baixo. Deus é Deus não só no céu, mas é Deus no mundo. Deus Alto Suficiente e Alto Contido, ligado à um cordão umbilical; O Deus Legislador Soberano, sujeitando-se a suas próprias leis; O Deus Forte, sofrendo as dores e o choro que nos torna frágeis. O Deus Inteiro, inteiramente no corpo de um menino. O Deus Pai do Tempo e da Eternidade, nascendo.
O verdadeiro natal enaltece ao esplêndido o Deus que abre os olhos do mundo para uma realidade maior do que a vista pelos sentidos. Conhecendo nossa fragilidade, Ele se revelou no mundo material. Como diz o escritor sagrado:
1ª Carta de João, capítulo 1:1-3: "CRISTO ESTAVA VIVO quando o mundo começou, entretanto eu mesmo O vi com os meus próprios olhos e O ouvi falar. Eu toquei nele com as minhas próprias mãos. Ele é a mensagem da Vida enviada por Deus. Este que é Vida que vem de Deus foi revelado a nós, e nós asseguramos que O vimos; eu estou falando de Cristo, Aquele que é a Vida eterna. Ele estava com o Pai e depois foi revelado a nós. Eu repito que lhes estamos falando a respeito do que realmente nós mesmos vimos e ouvimos, a fim de que vocês possam participar da comunhão e das alegrias que nós temos com o Pai e com Jesus Cristo, seu Filho."
Em meio a renas voadoras, doendes e papais noéis imaginários, o nascimento de Jesus nos chama para uma realidade objetiva, do Deus Espírito Invisível e Real que desce até aos humanos visíveis de carne e osso, e une-se a eles em meio a um coro angelical, unindo as realidades das alturas e da terra, como sempre deveria ser:
Lc 2:13: [...]“Glória a Deus nas maiores alturas, Paz a todos os homens e mulheres na terra que lhe agradam”.
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